A CPI do Crime Organizado apresentou nesta quinta-feira requerimentos que incluem a convocação de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, no âmbito das investigações sobre o caso Banco Master. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que os pedidos serão pautados na próxima reunião do colegiado, inclusive aqueles que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal.
“A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo que continua nos surpreendendo e horrorizando pela gravidade dos fatos revelados” afirmou Contarato, em nota.
O senador declarou ainda que a comissão atuará de forma independente.
“O compromisso da CPI é unicamente com a Constituição e o interesse público. Não abro mão disso e garanto que a CPI continuará pautada pela independência. Ninguém será blindado, não importa o cargo, o poder que exerça ou a hierarquia que ocupe dentro ou fora das estruturas do Estado”, escreveu.
A apresentação dos requerimentos ocorre em meio à pressão da oposição sobre o ministro Dias Toffoli no caso Banco Master. Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, mencionam o magistrado, o que levou parlamentares do PL e do Novo a apresentar representações à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo sua saída da relatoria do caso no STF.
Além disso, um novo pedido de impeachment contra o ministro será protocolado no Senado. Parlamentares também defendem a abertura de uma CPI específica para investigar a atuação do banco, mas a proposta enfrenta resistência da cúpula do Congresso, que tem adotado postura de cautela e prefere aguardar o andamento das investigações no Supremo.
Em nota divulgada nesta semana, o gabinete de Toffoli afirmou que os questionamentos se baseiam em ilações. Em manifestação posterior, o ministro admitiu ter sido sócio de uma empresa que detinha participação em um resort no Paraná e informou que vendeu sua parte a um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Toffoli também declarou que nunca recebeu valores do banqueiro ou de seus familiares.
Ao apresentar os requerimentos, Contarato também solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da gestora Reag e de seu fundador, João Carlos Mansur, além do envio, pelo Banco Central, do processo administrativo que resultou na liquidação extrajudicial da instituição.

