Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital e promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), realizaram nesta quinta-feira, uma perícia numa casa, na parte baixa do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, onde um morador e seis bandidos foram mortos. O caso ocorreu, nesta quarta-feira, durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais(Bope). A ação deixou um total de oito mortos, já que um sétimo traficante foi morto na parte alta da mesma comunidade.
Pelo menos 40 policiais civis estiveram na comunidade. Durante a entrada dos agentes no morro não houve registros de trocas de tiros. O exame pericial durou pouco mais de uma hora. A casa onde as mortes aconteceram fica em um beco, ao lado de um prédio. O acesso ao local é feito pela Rua Barão de Petrópolis. Para chegar até a residência é preciso caminhar por dez minutos por uma ladeira, através de uma escadaria. Nesta última parte, rastros de sangue ainda podem ser vistos 24 horas após a operação do Bope.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um cômodo da residência com manchas de sangue na parede. A Polícia Militar e Roberta Ferro Hipólito, viúva do morador Leandro da Silva Sousa, dão versões diferentes sobre o ocorrido na residência. Ela estava na casa com o marido, quando ele foi atingido por um tiro na cabeça. Em uma entrevista coletiva, nesta quarta-feira, o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, e o comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, disseram que a corporação tentou negociar, por cerca de 15 minutos, a rendição de seis traficantes, responsáveis por invadir uma casa de dois cômodos, durante uma operação no Morro dos Prazeres. Segundo os oficiais, os bandidos fizeram disparos e um dos tiros teria acertado o morador Leandro. Na versão dos militares, os homens do Bope apenas revidaram os disparos.
Já nesta quinta-feira, a viúva de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, que também estava na residência com o marido, deu uma outra versão sobre ocorrido. Ela disse que os criminosos prometeram se entregar, mas que a polícia invadiu o imóvel usando uma granada e abrindo fogo. Ainda segundo a mulher, um policial tentou induzi-la a mentir em depoimento, falando que ela deveria dizer à Polícia Civil que um bandido atirou no marido.
Segundo o MPRJ, promotores do Gaesp solicitaram imagens de câmeras corporais usadas por policiais do Batalhão de Operações Especiais na operação que deixou oito pessoas mortas. Procurada pela reportagem, a a Polícia Militar não informou até o momento se os agentes estavam com câmeras nem se os equipamentos estavam em funcionamento.
A operação deflagrada pela PM, nesta quarta-feira, tinha o objetivo de capturar o traficante Cláudio Augusto dos Santos, o Jiló. Com 135 passagens pela polícia, e com 13 mandados de prisão expedidos pela Justiça em seu nome, Jiló foi localizado em um matagal, na parte alta do Morro dos Prazeres. Baleado, em uma troca de tiros, ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

