A crise política dentro do grupo que comanda Maricá há cerca de duas décadas ganhou novos capítulos e mostra que o clima segue longe de esfriar.
Após a ampla exoneração de nomes ligados ao gabinete do vice-prefeito João Maurício (Joãozinho), o prefeito Washington Quaquá convocou todos os vereadores da base governista para uma reunião em seu sítio, localizado na região do Espraiado, nesta quarta-feira (04/02). Segundo ele, o teor da conversa foi apresentar os principais projetos da prefeitura para 2026 e ouvir demandas do legislativo, mas nos bastidores o encontro é visto como um movimento para alinhar o grupo político em meio ao momento de tensão.
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Estopim da crise
Joãozinho vem sendo apontado como um dos articuladores da pré-candidatura do ex-prefeito Fabiano Horta a deputado federal. Ele teria participado de agendas em Brasília para tratar de composições políticas — movimentação que não teria sido bem recebida por Quaquá, que, segundo relatos, foi apenas comunicado posteriormente.
A reação veio na forma de exonerações que atingiram quase toda a estrutura ligada ao vice, gesto interpretado como uma resposta direta ao movimento político.
Declarações que reacenderam antigas feridas
O clima já vinha sendo aquecido por falas recentes de Quaquá. Durante o lançamento das obras do Plaza Maricá Shopping — empreendimento que conta com participação do município como sócio — o prefeito afirmou que, no passado, teria sido impedido de indicar seu filho, Diego Zeidan (atualmente Diego Quaquá), para a sucessão no governo Horta, sob a justificativa de falta de experiência. Segundo ele, isso influenciou sua decisão de retornar ao comando da Prefeitura.
Um histórico de rompimentos
Não é a primeira vez que Quaquá enfrenta tensão com seu próprio vice. Em seu primeiro mandato à frente da Prefeitura, entre 2009 e 2012, ele rompeu politicamente com o então vice-prefeito Uilton Viana.
Naquele período, em 2010, o prefeito chegou a enfrentar um processo de impeachment, que acabou sendo arquivado após articulações políticas. O cenário na época era ainda mais delicado: Quaquá tinha quase metade da Câmara Municipal como oposição ao seu governo — um contraste com o momento atual, em que a base governista é ampla (19 dos 21 vereadores).
Novo rearranjo de forças
O episódio atual evidencia que, apesar de o mesmo campo político seguir à frente da administração municipal, há um reposicionamento de forças e disputa de protagonismo interno. A reunião com vereadores da base indica que o governo busca consolidar apoio e conter fissuras antes que o racha se aprofunde.
Os próximos movimentos devem influenciar diretamente o cenário eleitoral e as alianças futuras na política de Maricá. Horta, no entanto, segue sem se pronunciar sobre as ‘acusações’ de deixar o caixa vazio para o sucessor e, ao Maricá Info, informou que sua vida começa apenas após o Carnaval.

