A valorização do petróleo no mercado internacional tem aumentado a expectativa de crescimento na arrecadação de royalties e participações especiais no Brasil, com impacto direto nas contas do Estado do Rio de Janeiro e de municípios produtores, como Maricá.
✅ Clique aqui para seguir o canal do Maricá Info no WhatsApp e receber as notícias gratuitamente.
A alta recente do barril está associada à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, e aos riscos sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. Nesta segunda-feira, o Brent voltou a ser negociado acima de US$ 110, após já ter se aproximado de US$ 120 em março.
De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), caso o preço médio do barril do Brent se mantenha em torno de US$ 100 ao longo de 2026, a arrecadação total de royalties e participações especiais no país pode alcançar R$ 160,72 bilhões, um aumento de cerca de 60% em relação aos R$ 100,35 bilhões registrados em 2025.
No recorte estadual, a projeção indica que o Rio de Janeiro poderia arrecadar R$ 39,31 bilhões, frente aos R$ 26,09 bilhões do ano anterior. O estudo considera um cenário de referência baseado na nova faixa de preços do petróleo, e não uma projeção fechada de mercado.
Em Maricá, os efeitos podem ser ainda mais expressivos. O município foi o maior beneficiário de royalties do país em 2025, com arrecadação de R$ 4,236 bilhões em receitas petrolíferas, o equivalente a 63% de toda a receita municipal. Com a manutenção do barril em patamar elevado, a cidade pode ultrapassar novamente a marca de R$ 4 bilhões e se aproximar de R$ 4,5 bilhões em 2026.
A forte dependência dessas receitas faz com que variações no preço do petróleo tenham impacto direto nas finanças municipais. Ao mesmo tempo, há mudanças recentes na distribuição desses recursos. Em dezembro de 2025, Maricá firmou um acordo com o município do Rio de Janeiro para redistribuição de parte dos royalties em favor de cidades como São Gonçalo, Magé e Guapimirim, com repasses progressivos até 2030. O acordo foi levado à Justiça para homologação.
Com isso, mesmo em um cenário de aumento na arrecadação, o município não deve reter integralmente os valores adicionais, já que parte dos recursos será compartilhada.
Apesar disso, Maricá segue com uma base elevada de receitas provenientes do petróleo, o que garante margem para manutenção de políticas públicas e investimentos. A possível ampliação da arrecadação tende a reforçar o caixa municipal, embora com menor flexibilidade em comparação a anos anteriores.
No cenário estadual, a valorização do petróleo reforça a dependência histórica do Rio de Janeiro em relação às receitas do setor. Oscilações no mercado internacional seguem impactando diretamente as finanças públicas, tornando o desempenho do barril um fator determinante para o equilíbrio fiscal.

