Execução de Fábio Romualdo, ocorrida em 2021, foi atribuída ao novo Escritório do CrimeReprodução
O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa – conhecido como Tenente Alessander – e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas – o Briggs – cumprirão penas de 27 anos de prisão, também em regime fechado, e pagarão 44 dias-multa, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas.
A sentença, do último dia 21, determinou a exclusão de Bruno e de Diogo dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado. A eventual perda do posto e da patente de Alessander ainda seria analisada, mas ele já estava afastado.
Novo “Escritório do Crime”
As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações envolvendo armas de fogo de grosso calibre, carregadores e de munições, inclusive de equipamentos apreendidos em operações da Polícia Militar. As mensagens extraídas de contas vinculadas aos investigados revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia.
Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, ocorrido no bairro Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, executado em Realengo, na Zona Oeste, no mês seguinte. De acordo com o Ministério Público do Rio (MPRJ), os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com diversos tiros, e teriam sido planejados pelo monitoramento e por tentativas de emboscada.
Neri foi morto a tiros de fuzil e de pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos.
Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução. André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os três comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, o homem supostamente coordenava a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.
Fábio foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Ele dirigia seu carro quando criminosos o surpreenderam, atingindo o veículo com diversos tiros, sem possibilidade de defesa.
Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado esse assassinato, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la. O planejamento teria começado um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, que só não ocorreu porque Fábio não compareceu ao local.
Comércio ilegal de armas
A denúncia também detalhou a participação de Bruno, Alessander e Diogo em negociações clandestinas de armamentos. O primeiro é apontado tanto como participante do planejamento e da execução de homicídios quanto como negociador de armas, carregadores e munições. Os outros dois são acusados de fornecer material bélico ao grupo, inclusive armas que teriam sido desviados de apreensões policiais.
Em relação a Alessander, o MPRJ sustentou que sua atuação não se limitava a transações pontuais: ele teria mantido vínculo estável com a organização, fornecendo armas e munições, além de receber pagamentos periódicos de R$ 500.
A denúncia também descreveu negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. As provas reunidas incluem registros digitais, mensagens e outros conteúdos que demonstram a articulação entre os envolvidos.
A reportagem pediu um posicionamento para a Polícia Militar, em e-mail enviado às 7h33, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para manifestação.
O O DIA não localizou a defesa dos condenados. O espaço também está aberto para manifestação.
