Candidatas negras são excluídas de seleção nos EUA para integrantes de famosa irmandade estudantil

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A tradicional irmandade estudantil Alpha Phi da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (UCSB), foi abalada por um escândalo de preconceito racial na última seleção para novas integrantes.
A Alpha Phi International Fraternity é uma organização que reúne mais de 280 mil membros ao redor do mundo, com 175 colegiados espalhados pelos EUA e pelo Canadá. A entidade, conhecida por suas concorridas festas, foca no desenvolvimento de liderança, na excelência acadêmica, no serviço comunitário, na filantropia e nos laços de amizade ao longo de toda a vida.
De acordo com o jornal “Daily Nexus”, integrantes da irmandade Alpha Phi ficaram chocadas ao constatar que mulheres negras e outras mulheres não brancas teriam sido excluídas das atividades de recrutamento. Além disso, candidatas de diversas origens desapareceram misteriosamente do processo de seleção.
A polêmica começou durante o processo de recrutamento no fim de setembro, quando a Alpha Phi International enviou três representantes para supervisionar o processo anual de admissão do capítulo. Entre elas estava uma consultora voluntária de recrutamento, que também era ex-aluna da Alpha Phi na UCSB e vinha auxiliando o colegiado nos dois anos anteriores.
Cerca de 1.200 candidatas participaram inicialmente do processo de recrutamento, segundo o Santa Barbara News-Press.
No entanto, após a primeira etapa, no dia 26 de setembro, as integrantes da irmandade teriam sido orientadas a se retirar, enquanto as representantes externas definiam quais candidatas avançariam.
Quando as integrantes retornaram, o grupo de candidatas havia, segundo relatos, diminuído para cerca de 250 mulheres, e elas notaram imediatamente algo preocupante.
“Havia um grupo grande e visivelmente diverso de mulheres que não constava mais na lista de possíveis novas integrantes que retornaram ao processo”, disse Alana Nielsen, a presidente do colegiado UCSB, ao “Daily Nexus”.
Enquanto isso, integrantes negras e de outras minorias raciais estariam sendo deixadas de lado no processo seletivo.
Sky Achola (primeira à esquerda) foi vetada no processo seletivo para a escolha de novas integrantes da irmandade estudantil Alpha Phi da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara
Reprodução
Sky Achola, uma integrante negra da organização e estudante do terceiro ano de Ciência Política, contou que chegou à sede no dia 27 de setembro esperando encontrar as candidatas, mas descobriu que seu nome havia sido completamente excluído da programação.
Ela logo percebeu que a exclusão não era “privilégio” dela.
“Praticamente todas as mulheres não brancas do meu grupo de afiliação, com exceção da minha afilhada, que é branca, foram excluídas de todas as etapas do processo”, relatou Sky ao “News-Press”.
Sky contou que, após as integrantes começarem a questionar a situação, ela acabou sendo incluída em uma das etapas de recrutamento.
Mas a situação já era incontrolável. À medida que a suposta discriminação se tornava cada vez mais evidente, a frustração dentro da sede da irmandade atingiu seu ponto crítico.
Alana afirmou ter solicitado uma reunião com todo o grupo para tratar das preocupações, mas, segundo ela, um representante externo teria dito que uma discussão era desnecessária e que o dia deveria terminar de forma “alegre”.
Alana Nielsen, a presidente do colegiado da irmandade estudantil Alpha Phi na UCSB, comandou um levante contra preconceito racial na organização
Reprodução/Instagram
Entretanto, o que se seguiu foi uma rebelião inna irmandade.
“As meninas estavam de pé, gritando”, contou ao “Daily Nexus” a diretora de recrutamento Emerson Novosel. “Parecia uma revolução acontecendo ali mesmo. Elas estavam de pé, chorando, gritando. Nunca me senti tão empoderada”, emendou.
A “revolução” rendeu frutos. A conselheira à frente do recrutamento — cuja identidade não foi revelada — foi posteriormente denunciada e afastada da sua função.
Apesar da comoção, a Alpha Phi recusou-se a abandonar o recrutamento. A organização nacional optou, em vez disso, por assumir o controle do processo restante.
O colegiado da UCSB acabou preenchendo sua cota de recrutamento, deixando uma incerteza sobre se as mulheres supostamente excluídas anteriormente ainda poderiam receber convites por meio de um processo de seleção informal à parte.
Em 1º de outubro, as integrantes divulgaram um comunicado declarando que lutariam por mudanças a partir de dentro da organização.
Quatro dias depois, a Alpha Phi International enviou representantes para se reunir com integrantes do colegiado a fim de ouvir as suas queixas. A organização prometeu analisar possíveis mudanças no recrutamento.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/10/candidatas-negras-sao-excluidas-de-selecao-nos-eua-para-integrantes-de-famosa-irmandade-estudantil.ghtml

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