Sobrevivente de atentado que levou autor à condenação por fuzilamento diz que assistirá à execução: 'Olhar no olhos dele'

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Um sargento reformado do Exército dos EUA, baleado sete vezes pelo terrorista de Fort Hood, Nidal Hasan, disse nesta sexta-feira (9/10) que planeja assistir à execução pública de seu ex-colega para “olhar nos olhos dele”.
Alonzo Lunsford afirmou ser “apropriado” que Hasan morra por fuzilamento no mesmo local, no Texas, onde matou 13 soldados desarmados em 2009 — um dos tiroteios mais letais já ocorridos em uma instalação militar dos EUA. O presidente Donald Truimp adotou o mesmo tom e declarou que Hasan “merece ser fuzilado”, na primeira execução pública nos EUA em quase 100 anos.
Alonzo Lunsford
Reprodução
“Vou estar lá [para assistir] e, antes de puxarem o gatilho, quero que ele olhe nos meus olhos e eu olhe nos dele. Quero que ele saiba: ‘Cara, você fracassou. Eu ainda estou aqui'”, disse Lunsford à BBC.
Durante o atentado de 2009, Lunsford se fingiu de morto após os disparos iniciais contra ele. Ao tentar arrastar outro soldado ferido para fora do prédio, Hasan o perseguiu e o baleou pelas costas. Ele sobreviveu após passar por diversas cirurgias, mas perdeu parte dos intestinos e passou a conviver com sequelas físicas severas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Um dos disparos atingiu Lunsford na cabeça, fazendo com que ele perdesse a visão do olho esquerdo.
“Não tenho nenhuma simpatia por ele”, declarou Lunsford, que deixou o serviço militar em 2013, sobre o terrorista.
Antes do ataque brutal, Hasan, que era major e psiquiatra do Exército, acabou abraçando uma visão radical do Islã.
Nos anos seguintes ao ataque, Lunsford se tornou voz ativa na defesa dos direitos das vítimas. Ele liderou esforços junto ao Congresso americano para reclassificar o massacre de “violência no ambiente de trabalho” (como o Departamento de Defesa inicialmente qualificava) para ato de terrorismo. Essa mudança, conquistada em 2015, garantiu que os sobreviventes recebessem os benefícios médicos adequados e a medalha Purple Heart, com a qual ele foi formalmente condecorado.
Nidal Hasan matou três militares em base militar do Texas em 2009
AFP
Os EUA estariam planejando a transmissão ao vivo da execução, de acordo com vários veículos de imprensa local.
“Não sei se isso realmente vai acontecer”, disse o vice-presidente dos EUA, JD Vance, acrescentando que, se a execução for transmitida, ele não a acompanhará.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira (8/10) que o público poderá assistir à execução de Hasan. A aplicação da pena está marcada para 3 de dezembro.
Em entrevista ao canal de TV Real America’s Voice, Hegseth disse que o exército vai garantir que as pessoas possam acompanhar a execução. Segundo ele, a exposição pública serviria para mostrar que crimes deste tipo têm consequências graves nos EUA.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou que transmitir ao vivo o fuzilamento de um condenado à morte é uma forma de “tortura”.
A vida do sargento reformado
Após se aposentar do serviço militar, Lunsford reconstruiu sua vida na Carolina do Norte. Ele atuou como treinador de basquete no Johnston Community College e, posteriormente, assumiu cargos na comissão técnica feminina da Wake Tech Athletics, onde foi nomeado treinador principal em outubro de 2024. Atualmente, ele concilia a rotina esportiva com palestras motivacionais e apoio a veteranos de guerra feridos.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/10/sobrevivente-de-atentado-que-levou-autor-a-condenacao-por-fuzilamento-diz-que-assistira-a-execucao-olhar-no-olhos-dele.ghtml

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