MEC aciona área de crimes cibernéticos da PF após ameaças a universidades federais

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O Ministério da Educação (MEC) vai acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para investigar ameaças feitas contra universidades federais e integrantes da comunidade acadêmica. A medida foi anunciada pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, após denúncias de mensagens violentas nas redes sociais e um incêndio de grandes proporções na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife.

Em entrevista à Agência Brasil, na quinta-feira (8), o ministro afirmou que o governo está preocupado com a possibilidade de agravamento da violência. Segundo ele, a Polícia Federal já instaurou um inquérito para apurar as causas do incêndio na universidade pernambucana, mas as ameaças virtuais serão alvo de uma investigação específica.

“Temos uma preocupação grande de que essa violência escale”, declarou Barchini.

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, informou ter encaminhado à Polícia Federal denúncias de ameaças contra estudantes, servidores e o patrimônio da instituição.

Mensagens ameaçam incendiar a UFF e agredir estudantes

De acordo com a UFF, as ameaças foram compartilhadas em aplicativos de mensagens e redes sociais. Entre os conteúdos denunciados estão referências a incendiar a universidade durante a madrugada e a agredir estudantes durante manifestações políticas.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo informou que parte das mensagens circulou em um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro”, sem vínculo oficial confirmado com a campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em uma das conversas, um participante teria sugerido reunir nomes de pessoas para um suposto plano de incendiar a universidade. Em outra mensagem, há referência a agressões contra apoiadores do PT.

Ainda segundo a reportagem, ao ser questionado por um estudante sobre a ameaça de incêndio, o suposto autor afirmou que se tratava de uma brincadeira. A identidade dos responsáveis e a possibilidade de execução dos ataques dependem de apuração pelas autoridades.

As denúncias surgiram após manifestações de estudantes em Niterói em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro, marcado para 25 de outubro.

Em nota oficial, a UFF informou que encaminhou imediatamente todo o material recebido à Polícia Federal e aos demais órgãos competentes. A instituição também solicitou reforço da segurança nos campi à Secretaria de Gestão Integrada de Niterói e acionou a Superintendência de Operações e Manutenção para intensificar as medidas de proteção.

A universidade declarou que acompanha a investigação e permanece à disposição para colaborar com as autoridades.

 

Incêndio na UFPE destrói laboratórios e provoca perdas milionárias

O posicionamento do MEC ocorre após um incêndio de grandes proporções atingir, na noite de quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife. O imóvel abrigava laboratórios de pesquisa nas áreas de fármacos, genética e informática. O prejuízo estimado pela reitoria é de aproximadamente R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais científicos.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o fogo destruiu o primeiro andar do edifício, comprometendo pesquisas e acervos científicos. Parte do material perdido reunia dados e amostras acumulados ao longo de até duas décadas de trabalho acadêmico. Não houve registro de feridos.

Esse foi o terceiro incêndio registrado em instalações da UFPE em cerca de uma semana. Os episódios anteriores ocorreram no Departamento de Física e no Centro de Biociências. De acordo com informações divulgadas pela universidade, as causas desses dois incêndios foram identificadas: um experimento malsucedido e um curto-circuito, respectivamente.

A Polícia Federal investiga o incêndio de grandes proporções para determinar se o fogo foi acidental ou criminoso. A origem ainda não havia sido confirmada, e a realização de perícia é fundamental para esclarecer as circunstâncias.

Além da investigação sobre o incêndio, há relatos de ameaças anteriores contra integrantes da comunidade acadêmica da UFPE. Essas denúncias também despertaram preocupação, mas, até o momento, não há confirmação de que as ameaças tenham relação direta com o fogo.

MEC pede apuração específica das ameaças

Durante a visita à UFPE, Leonardo Barchini explicou que o ministério pretende acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para apurar os conteúdos ameaçadores identificados nas redes sociais.

Segundo o ministro, a estrutura especializada já atua em conjunto com o MEC em casos de ameaças a escolas e universidades. O acionamento deverá considerar informações reunidas no monitoramento das redes e relatos recebidos de estudantes, reitores e professores.

Barchini também ressaltou que as universidades devem ser espaços de convivência democrática e de liberdade de expressão política.

“A universidade é um ambiente plural, um ambiente de manifestação política também”, afirmou.

A atuação do ministério busca ampliar a apuração das ameaças para além das investigações específicas de cada ocorrência. No caso da UFF, a universidade já enviou as denúncias à Polícia Federal e pediu reforço da segurança. Na UFPE, a corporação investiga as causas do incêndio e deverá apurar separadamente as ameaças relatadas.

 

Até o momento, não há confirmação oficial de que os episódios registrados nas duas universidades estejam relacionados. A identificação dos autores das mensagens, a avaliação da credibilidade das ameaças e o esclarecimento das causas do incêndio dependem das investigações em andamento.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/uff-aciona-pf-apos-ameacas-de-incendio-e-agressoes-contra-estudantes-em-niteroi/

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