Candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (6) que pretende participar dos debates com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o segundo turno das eleições. O senador disse que pretende usar os encontros para comparar os programas de governo e as experiências dos dois grupos no Palácio do Planalto.
As declarações foram dadas no comitê de campanha do PL, em Brasília, um dia após Lula cobrar de sua equipe a organização da participação do presidente nos debates desta etapa da disputa.
“Eu já queria ter participado no primeiro turno de debates com o Lula. Vou participar de debates. Eu acho que são importantes. É o que eu sempre quis, eu quero comparar os programas de governo, eu quero comparar os governos do Lula com o nosso governo, e eu tenho a convicção de que a gente vai ser vitorioso nesse debate”, afirmou Flávio.
Questionado sobre a discussão envolvendo a jornada de trabalho, Flávio afirmou que tem uma proposta diferente das medidas atualmente em debate. Segundo ele, os trabalhadores deveriam ter maior liberdade para definir a própria carga horária.
O candidato citou como exemplo mulheres que enfrentam dificuldades para cumprir uma jornada de oito horas por dia por não terem com quem deixar os filhos.
“Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para que o trabalhador escolha a sua própria carga horária. Tem muitas mães, por exemplo, que não conseguem trabalhar oito horas por dia porque não têm como deixar seus filhos”, disse.
Flávio, no entanto, não detalhou como a escolha da jornada seria negociada entre trabalhadores e empregadores, nem explicou possíveis impactos sobre salários, direitos trabalhistas ou limites de carga horária.
O senador também não esclareceu se é favorável ou contrário ao fim da escala 6×1, tema que ganhou espaço nas discussões sobre mudanças na legislação trabalhista.
Segundo Flávio, mães que enfrentam dificuldades para deixar os filhos também poderiam receber um voucher para custear uma creche privada quando não houver vaga disponível na rede pública. O candidato não informou o valor do benefício, os critérios para acesso ou o custo estimado da medida.
Além da preparação para os debates, Flávio Bolsonaro afirmou que sua campanha trabalha para ampliar os apoios políticos na segunda etapa da eleição.
O candidato disse ter conversado com integrantes do Republicanos e do Podemos. Segundo ele, as duas siglas deverão consultar suas bancadas antes de definir oficialmente uma posição no segundo turno.
“Eles voltam para as suas bancadas para confirmar ou não esse apoio, que é o movimento correto”, afirmou.
Flávio também disse que PP e União Brasil discutem internamente qual posição irão adotar na disputa presidencial.
O senador agradeceu ainda o apoio do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que ficou fora do segundo turno, e anunciou uma viagem a Goiânia para receber o apoio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também derrotado na primeira etapa da eleição.
Segundo Flávio, Caiado apresentou condições para apoiar sua candidatura, mas os termos não foram detalhados. O senador afirmou que os dois têm pontos de convergência em áreas como segurança pública, saúde, inteligência artificial e mineração.
Ao confirmar que participará dos debates, Flávio sinalizou que pretende transformar os encontros em uma comparação direta entre os governos de Lula e Jair Bolsonaro.
O candidato pretende apresentar suas propostas e, ao mesmo tempo, explorar a experiência do governo Bolsonaro, do qual foi aliado político, para tentar conquistar os eleitores que decidirão a eleição no segundo turno.
