Maricá –
Ex-candidato a prefeito recebeu 4.718 votos para deputado estadual, sendo 4.068 em Maricá; dois anos antes, concorrendo pelo PL, havia conquistado 27.755 votos no município
Fabinho Sapo (Republicanos) não conseguiu se eleger deputado estadual nas eleições deste domingo (4) e terminou a disputa com uma votação muito abaixo do resultado que havia alcançado em Maricá nas eleições municipais de 2024.
Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Sapo recebeu 4.718 votos em todo o Estado do Rio, dos quais 4.068 foram registrados em Maricá.
O resultado mostra que sua votação ficou fortemente concentrada no município: aproximadamente 86,2% de todos os votos recebidos pelo candidato no estado vieram de Maricá. Fora da cidade, foram apenas 650 votos.
Sapo concorreu em 2026 pelo Republicanos, com o número 10022. Em 2024, porém, havia disputado a Prefeitura de Maricá pelo PL, utilizando o número 22. Seu histórico eleitoral registra justamente essa mudança de legenda entre as duas eleições.
De 27.755 para 4.068 votos em Maricá
A diferença para a eleição municipal de dois anos atrás é expressiva.
Em 2024, Fabinho Sapo foi candidato a prefeito de Maricá pelo PL e terminou na segunda colocação, recebendo 27.755 votos, equivalentes a 22,30% dos votos válidos. Neste domingo, concorrendo a deputado estadual pelo Republicanos, recebeu 4.068 votos em Maricá.
Isso representa 23.687 votos a menos em relação ao resultado obtido na cidade em 2024, uma redução nominal de aproximadamente 85,3%.
2024 — Prefeito pelo PL: 27.755 votos em Maricá
2026 — Deputado estadual pelo Republicanos: 4.068 votos em Maricá
Diferença: 23.687 votos a menos
Queda nominal: aproximadamente 85,3%
A comparação precisa levar em consideração que se trata de eleições diferentes. Em 2024, Sapo disputava um cargo majoritário, para prefeito, em uma eleição concentrada exclusivamente em Maricá. Em 2026, concorreu a deputado estadual em uma eleição proporcional, disputando votos com centenas de candidatos em todo o Estado do Rio.
Ainda assim, a diferença permite uma leitura política importante sobre o desempenho do candidato em sua própria base eleitoral.
Mudança de partido também muda contexto da disputa
Em 2024, Fabinho Sapo concorreu pelo PL, partido que utilizava o número 22 e que tinha naquele momento uma candidatura própria à Prefeitura de Maricá.
Naquela eleição, o candidato concentrou o voto de uma parcela significativa do eleitorado de oposição ao grupo governista municipal e terminou em segundo lugar, atrás de Washington Quaquá (PT). O resultado oficial foi de 27.755 votos para Sapo, contra 91.789 de Quaquá.
Dois anos depois, o cenário foi diferente.
Sapo deixou o PL e concorreu pelo Republicanos, partido pelo qual já havia disputado uma vaga de vereador em 2020. Em 2026, apareceu nas urnas com o número 10022, e não mais associado ao 22 utilizado na campanha municipal anterior.
Além da mudança partidária, uma eleição para deputado estadual fragmenta o eleitorado entre vários candidatos, inclusive nomes com bases políticas próprias dentro de Maricá.
O resultado de 2026, portanto, indica que os 27.755 votos obtidos por Fabinho em 2024 não podem ser interpretados automaticamente como um eleitorado pessoal e transferível para qualquer disputa.
Parte daquela votação estava inserida em uma conjuntura específica: uma eleição majoritária, a candidatura de oposição à Prefeitura, a identificação com o PL e com o número 22 e a própria polarização política daquele momento.
Não é possível determinar quantos daqueles 27 mil votos eram motivados especificamente pelo candidato, pelo partido ou pela conjuntura. O que as urnas de 2026 mostram objetivamente é que, em uma configuração eleitoral diferente e em outra legenda, 4.068 eleitores de Maricá voltaram a escolher nominalmente Fabinho Sapo.
Apenas 650 votos vieram de fora de Maricá
Outro número chama atenção no resultado. Dos 4.718 votos obtidos por Sapo em todo o Estado do Rio, 4.068 foram registrados em Maricá.
Isso significa que o candidato conseguiu somente 650 votos somados nos demais municípios fluminenses.
A concentração evidencia a dificuldade da candidatura em expandir sua base para além de Maricá, algo especialmente importante em uma disputa para deputado estadual, na qual os candidatos precisam buscar votos em todo o estado.
Ao final da apuração, a votação não foi suficiente para colocar Sapo entre os eleitos para a próxima legislatura da Alerj.
Resultado bem diferente de 2024
A eleição deste domingo também oferece um novo parâmetro para avaliar o tamanho político de Fabinho Sapo após a campanha municipal de 2024.
Há dois anos, seus 27.755 votos haviam colocado o candidato como principal adversário de Quaquá na disputa pela Prefeitura e representaram mais de um quinto dos votos válidos do município.
Agora, na primeira eleição estadual depois daquela disputa, Sapo recebeu 4.068 votos em Maricá e 4.718 em todo o estado.
A diferença não significa que os dois resultados possam ser comparados de maneira direta, já que os cargos, o sistema eleitoral, os adversários e o contexto político são diferentes. Mas os números enfraquecem uma interpretação de que os 27 mil votos de 2024 constituíam, por si só, uma base eleitoral pessoal consolidada de Fabinho.
O resultado daquele ano refletia também a força da legenda pela qual concorria, o espaço ocupado como principal candidatura de oposição e a conjuntura específica da eleição municipal.
Em 2026, já em outro partido e diante de uma disputa mais fragmentada, a quantidade de eleitores que voltou a escolher seu nome em Maricá foi significativamente menor.
Fabinho Sapo termina, assim, as eleições de 2026 fora da Assembleia Legislativa, com 4.718 votos no Estado do Rio e 4.068 em Maricá.
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