Bando de Rabicó, chefe do tráfico no Salgueiro, em São Gonçalo, movimenta R$ 453 milhões em 4 anos

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Barricada no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde o bando de Rabicó atua — Foto: Fabiano Rocha/26-01-2026


Quebras de sigilo telemático, financeiro e fiscal feitas pela Polícia Civil, com autorização judicial, revelam que o bando do traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, ou Coroa, um dos integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) e suspeito de ser o responsável pelo comércio de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, movimentou R$ 453 milhões entre os anos de 2020 e 2024.

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Para lavar o dinheiro, fruto de crimes como extorsões, comércio de armas, tráfico e roubos, Rabicó usou um ferro-velho, operadores financeiros (entre eles um homem que se declarava pescador) e empresas de fachada do ramo de reciclagem.

Ao todo, 55 pessoas tiveram prisão decretada no dia 11 de maio pela 1ª Vara Especializada Criminal contra o Crime Organizado. Nove delas conseguiram o benefício da prisão domiciliar. Pelo menos 18 continuam foragidas, entre elas Rabicó, de 62 anos, e Alex Sandro Ferreira de Araújo, o Tek, de 44. Esse último é apontado, numa investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-Capital), como compadre de Rabicó e principal operador financeiro da quadrilha.

Segundo um despacho do juízo que determinou o desmembramento do processo referente aos suspeitos procurados, as investigações da DRE mostraram que, apesar de Tek se declarar pescador, com renda mensal de R$ 984,84, ele movimentou mais de R$ 73 milhões entre agosto de 2020 e setembro de 2024.

Além disso, Tek é suspeito de ter feito 136 depósitos fracionados em diversas cidades do Estado do Rio. Ele ainda movimentou R$ 16 milhões em transferências, de acordo com a Polícia Civil.

A investigação também aponta Tek como controlador de duas empresas fantasmas de reciclagem e como o homem que recebeu ordens diretas de Rabicó, por meio de áudios, para fazer diversos pagamentos indicados pelo chefe do tráfico do Salgueiro.

— A origem do dinheiro movimentado era proveniente do tráfico e também da comercialização ilícita de materiais recicláveis. Rabicó, por intermédio de Tek, constituiu uma empresa de reciclagem, mas esta nunca adquiriu material com emissão de notas fiscais. Rabicó mesclava o dinheiro do tráfico com o de um ferro-velho. Tek, além de gerir esse ferro-velho, era o operador financeiro de Rabicó, pagando, por conta própria ou da empresa, as despesas do compadre, além de financiar o crime com a compra de armas e drogas — disse o delegado Moysés Santana, da DRE-Capital.

O detalhamento dos valores movimentados veio à tona a partir de três eixos investigativos: relatórios financeiros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), análises bancárias e quebras de sigilos telemático e fiscal. A partir desses dados, a DRE-Capital descobriu, por exemplo, que um homem tido como laranja comprou dois carros de luxo para serem usados por pessoas ligadas a Rabicó.

Um dos veículos seria um Fiat Toro, utilizado por uma mulher de 26 anos e comprado a prestações. Apontada na investigação como atual companheira de Rabicó e suspeita de ser uma das pessoas mais beneficiadas pelo esquema criminoso, ela chegou a ser presa preventivamente em maio, por ordem da Justiça. Sua defesa recorreu da decisão e conseguiu que a prisão preventiva fosse convertida em domiciliar, regime no qual ela permanece.

A investigação detalhou a participação de outras pessoas envolvidas com a lavagem de dinheiro. Uma delas seria um homem apontado como elo entre o esquema fraudulento e as ações armadas da quadrilha. Com seis anotações por tráfico de drogas, roubo e porte de arma de fogo, ele recebeu R$ 105.296 em 14 transações via Pix. O dinheiro foi transferido por uma mulher.

Segundo a polícia, ela operava uma conta de passagem, conectando operadores financeiros e destinatários com histórico criminal. A suspeita diz ser uma cabeleireira com renda de R$ 1.500 por mês e beneficiária de programas assistenciais. Apesar disso, movimentou R$ 2.992.502,97 entre janeiro e julho de 2024. A mesma mulher também aparece como recebedora de mais de R$ 125 mil que teriam sido enviados por Alex Sandro Ferreira de Araújo, o Tek.

Alvo de seis mandados de prisão

Rabicó tem em seu nome, segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), seis mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O último deles é de 11 de maio deste ano, quando a DRE-Capital deflagrou uma operação para cumprir 24 ordens de prisão expedidas contra o chefe da quadrilha e parte dos comparsas.

Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, é o principal nome do CV na Região Metropolitana do Rio — Foto: Disque Denúncia/Divulgação

O traficante chegou a ser preso em 2008, em Pernambuco. Ele foi condenado a 27 anos de cadeia, cumpriu 11 na penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e, beneficiado por decisões da Justiça, acabou solto em 2019.

Em janeiro deste ano, a Polícia Civil anunciou ter indiciado Rabicó e outros sete integrantes da cúpula do CV por conta de uma onda de roubos de veículos no estado, ocorrida entre 2 e 30 de janeiro de 2025.

Procurados, os advogados das pessoas citadas na reportagem não foram encontrados.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/10/04/bando-de-rabico-chefe-do-trafico-no-salgueiro-em-sao-goncalo-movimenta-r-453-milhoes-em-4-anos.ghtml

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