O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deferiu, por maioria, nesta terça-feira (29), o registro da candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) ao cargo de deputado estadual. Com a decisão, Canella está liberado para disputar as eleições de 2026.
O julgamento havia sido suspenso na semana passada para a realização de novas diligências e foi retomado nesta terça. O desembargador Guilherme Calmon votou pelo indeferimento da candidatura, mas ficou vencido. O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, votou pelo deferimento e afirmou que não havia provas suficientes para confirmar as acusações apresentadas nas ações de impugnação. O Ministério Público Eleitoral também havia se manifestado favoravelmente ao registro da candidatura.
Ao defender o indeferimento, Guilherme Calmon citou acusações que relacionam Canella a integrantes de grupos criminosos. Entre os pontos mencionados estão nomeações, durante sua gestão em Belford Roxo, de pessoas apontadas como ligadas a criminosos e um suposto acordo com traficantes para a gravação de vídeos em comunidades onde havia barricadas.
Segundo o desembargador, as barricadas teriam sido recolocadas após as gravações. Em seu voto, Calmon afirmou que a situação indicaria que o território não teria sido efetivamente retomado pelo poder público e classificou o episódio como um território que teria sido “alugado pelo tráfico para fins eleitorais”.
As acusações foram apresentadas no contexto das impugnações à candidatura, mas não foram acolhidas pela maioria da Corte.
Calmon também citou a relação de Márcio Canella com o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella, do União Brasil.
Jorge Canella foi preso pela Polícia Federal durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito em uma residência na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A operação também cumpriu mandados em outro endereço, no Recreio dos Bandeirantes, e na Câmara Municipal do Rio.
No voto, Guilherme Calmon mencionou ainda que Márcio Canella concedeu a Jorge Canella, em 2021, a Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Também citou a campanha eleitoral de 2024, quando Jorge Canella teria se apresentado como “o vereador do Márcio”.
Esses elementos foram considerados na fundamentação do voto contrário, mas não foram suficientes para impedir o deferimento da candidatura.
A candidatura de Márcio Canella foi questionada em cinco pedidos de impugnação, apresentados por Thiago Virgilio Teixeira de Souza, Daniel Silva de Lima, Fabio de Azevedo Barbosa, Jean Pierre Pereira Salles e pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos).
O processo também recebeu uma notícia de inelegibilidade apresentada por Joaquim Pedro de Morais Filho. Os questionamentos envolviam, entre outros pontos, supostas ligações de Canella com grupos criminosos e milícias na Baixada Fluminense.
Com o julgamento desta terça-feira, o TRE-RJ considerou improcedentes as impugnações e deferiu o registro da candidatura.
A análise do registro havia sido interrompida no dia 14, quando a Corte decidiu converter o julgamento em diligência para obter novas informações sobre o possível envolvimento político e administrativo de Canella com personagens associados à milícia.
Na retomada do julgamento, prevaleceu o entendimento favorável ao registro. Segundo reportagem publicada nesta terça-feira, a decisão foi tomada por 6 votos a 1.
