Cláudio Rafael Landeiro Moreira recebeu mais de 50 pauladasReprodução / Câmeras de Segurança
A abordagem ao ciclista ocorreu na noite do dia 11 de agosto. Na madrugada do dia seguinte, um grupo de pessoas agrediu Cláudio com diversos golpes, incluindo o uso de um pedaço de madeira. A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, ainda na Zona Sul. Após cerca de 40 minutos de manobras de reanimação cardiopulmonar, a morte foi confirmada.
O laudo de necrópsia do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o homem morreu por hemorragia interna, traumatismo craniano encefálico, lesão no baço e no rim esquerdo por ação contundente.
De acordo com as investigações da 12ª DP (Copacabana), as agressões foram realizadas por seguranças e entregadores. Os agentes identificaram os responsáveis a partir da análise de imagens de câmeras, que registraram a abordagem e parte da violência.
“A prova produzida revelou, em especial, que o episódio teve origem em uma situação banal relacionada à posse de uma bicicleta, evoluindo, sem qualquer proporcionalidade, para uma sucessão de agressões físicas extremamente violentas, praticadas por vários indivíduos contra uma única vítima, desarmada e totalmente incapacitada para oferecer resistência, tendo em vista o número de agressores e pelos brutais golpes desferidos em sua cabeça com um porrete”, diz o inquérito, o qual O DIA teve acesso.
As apurações também revelaram a existência de uma estrutura informal de seguranças de rua, mediante a contratação e pagamentos periódicos efetuados por comerciantes da região. De acordo com o apurado, comerciantes pagavam, aproximadamente, um valor entre R$ 130,00 e R$ 150,00 por semana, com arrecadação total aproximada de R$ 1.000,00 semanais, ao grupo.
“A convergência desses relatos demonstra que não se tratava de atividade episódica ou ocasional, mas de estrutura organizada e remunerada. Tais declarações, analisadas em conjunto, demonstram a existência de um sistema de financiamento privado da atividade informal de segurança. Os pagamentos não eram realizados mediante contrato formal ou relação trabalhista regularmente constituída. Ao contrário, eram efetuados de maneira informal, predominantemente em espécie e sem recibos”, destacou o inquérito.
Com a conclusão, a 12ª DP (Copacabana) indiciou cinco homens por homicídio triplamente qualificado. Segundo o investigado, a morte ocorreu por motivo fútil, por emprego de meio cruel e pelo recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, em concurso de pessoas.
Um outro homem foi indiciado por omissão de socorro, pois viu as agressões e não interveio. Uma mulher responderá por lesão corporal após entregar para Davi o pedaço de madeira usado no espancamento.
Defesas
Em nota publicada nas redes sociais no último dia 4, as advogadas Júlia Lopes e Karolina Dantas, que fazem a defesa do entregador Felipe Eduardo, afirmaram que acompanham o caso com rigor técnico e atenção. Na época, a investigação ainda estava em andamento.
“A gravidade das acusações não autoriza conclusões antecipadas, devendo ser assegurado à defesa o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, com a devida cautela na avaliação do conjunto probatório e sem a formação de juízos definitivos a partir de versões isoladas”, diz a publicação.
Ao O DIA, nesta terça-feira (8), Júlia contou que a defesa aguarda a delegacia com o relatório final para um posicionamento atualizado sobre o indiciamento de Felipe.
Também procurada, a defesa do entregador Ailton disse que irá se posicionar até o final do dia.
A reportagem ainda não localizou a defesa dos outros indiciados. O espaço está aberto para manifestação.
