Três homens começaram a ser julgados nesta terça-feira no México pela suposta participação nos assassinatos dos irmãos australianos Callum e Jake Robinson e do americano Carter Rhoad, mortos durante uma viagem à Baixa Califórnia em 2024. Os corpos dos três foram encontrados dias depois do desaparecimento dentro de um poço, todos com ferimentos provocados por tiros na cabeça.
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O julgamento começou na cidade costeira de Ensenada e deve durar cerca de quatro semanas, segundo a BBC. Dezenas de testemunhas são esperadas para depor, e o processo será conduzido por apenas um juiz. Martin e Debra Robinson, pais dos irmãos australianos, acompanharam o primeiro dia da audiência.
Acusação pede mais de 200 anos de prisão
Os réus são Jesús “El Kekas” Gerardo, Irineo Francisco e Ángel Jesús. Além das acusações relacionadas às mortes, eles respondem por roubo com violência e furto de veículo.
A promotoria mexicana pede penas superiores a 200 anos de prisão para cada um dos três acusados. Para o homem apontado como líder do grupo, os promotores também solicitam uma condenação adicional de 168 anos.
Segundo a acusação, os três turistas foram mortos após uma tentativa malsucedida de roubo. A defesa contesta essa versão e afirma que não há provas suficientes para sustentá-la.
No primeiro dia do julgamento, os três acusados foram transferidos para uma sala de audiência menor. A mudança ocorreu em meio a acusações de que algumas testemunhas teriam sofrido intimidação por pessoas ligadas aos réus.
O processo começou mais de dois anos depois do desaparecimento dos três turistas, que viajavam pela Baixa Califórnia para praticar surfe.
Pais acompanham julgamento
Martin e Debra Robinson afirmaram que acompanhar o julgamento é importante, mas também extremamente difícil. Em comunicado divulgado pela emissora pública australiana ABC, os pais disseram: “Queremos que os homens acusados de assassinar nossos filhos vejam, pessoalmente, as consequências humanas do que aconteceu”.
Eles também destacaram que os filhos não devem ser vistos apenas como vítimas de um processo judicial, mas como pessoas que tinham relações familiares e de amizade, além de planos para o futuro:
“Callum e Jake não eram simplesmente vítimas em um processo – eram nossos filhos, profundamente amados por sua família e amigos, com vidas, sonhos e futuros que foram brutalmente tirados deles”.
Ari Gisell, ex-namorada de um dos homens acusados neste processo, foi condenada no ano passado por seu envolvimento nas mortes. Ela foi a primeira pessoa a receber uma sentença pelo assassinato dos três turistas e foi condenada a 20 anos de prisão.
Callum Robinson era australiano e integrava a seleção de lacrosse de seu país. Ele vivia em San Diego, nos Estados Unidos, onde também atuava profissionalmente no esporte.
Jake Robinson era o irmão mais novo de Callum. Ele havia viajado da Austrália para participar da viagem de surfe na Baixa Califórnia e, depois, deveria retornar para começar a trabalhar como médico.
Carter Rhoad era amigo dos irmãos e vinha da Califórnia. Ele também estava na casa dos 30 anos e morreu poucos meses antes do casamento que teria.
Os assassinatos dos irmãos Robinson e de Rhoad provocaram forte impacto na Austrália e também entre moradores de Ensenada. Embora estados mexicanos próximos à fronteira norte apresentem altos níveis de violência associada a cartéis, ataques dessa natureza contra turistas são considerados raros nas cidades de surfe da Baixa Califórnia.
