A deputada estadual Letícia Aguiar (PL) está pedindo a abertura de investigação sobre possível uso de dinheiro público no patrocínio da exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade”, em cartaz no Museu da Língua Portuguesa de São Paulo. Segundo a parlamentar, o conteúdo apresentado inclui pornografia, apologia às drogas e ao crime disfarçados de cultura, o que, na avaliação dela, não poderia ser financiado com recursos públicos. “Não dá pra financiar esse tipo de exposição, muito menos com dinheiro público”, afirmou.
A manifestação ocorre após uma série de vídeos viralizar nas redes sociais, colocando a mostra no centro de uma polêmica nacional. As gravações foram feitas pelo influenciador Felipe Sertanejo e pela própria deputada, que esteve no local para verificar as denúncias.
O caso começou a ganhar repercussão quando Sertanejo publicou imagens questionando a presença de estudantes na exposição. Nos vídeos, ele destaca cenas de bailes funk com forte apelo sexual e presença de bandidos armados com fuzis, além de referências à violência urbana e à romantização do tráfico. “É isso que estão mostrando para crianças dentro de um museu?”, questiona.
A crise se intensificou com a visita de Letícia Aguiar. Em vídeo gravado dentro do museu, ela criticou diretamente o acesso de adolescentes ao conteúdo: “Você é pai e mãe… seu filho tá numa excursão e vai ter acesso a esse tipo de conteúdo. Você concorda com isso? É inaceitável.”
Durante a inspeção, a parlamentar apontou o que classificou como excesso de erotização e referências explícitas a práticas ilícitas. “Apologia a armas, ao crime… toda essa ‘arte’, entre aspas.”
Ela também reforçou a preocupação com o público jovem presente no espaço: “Isso não é lugar de criança… estamos vendo aqui famílias, adolescentes sendo expostos a esse tipo de conteúdo.”
Críticos afirmam que a exposição ultrapassa limites ao tratar temas sensíveis em um ambiente educativo, podendo influenciar negativamente jovens. Também há questionamentos sobre a divulgação oficial, que, segundo opositores, não refletiria os conteúdos mais explícitos exibidos.
Por outro lado, defensores da mostra sustentam que a proposta é retratar a realidade social das periferias, incluindo suas contradições, e apresentar o funk como um fenômeno cultural relevante. A curadoria afirma que o objetivo é ampliar o entendimento sobre o gênero, sua linguagem e seu impacto na sociedade.
Com classificação indicativa de 14 anos, a exposição foi concebida originalmente pelo Museu de Arte do Rio (MAR). Agora, com milhões de visualizações acumuladas e pressão crescente, o caso amplia o debate sobre os limites entre expressão cultural, financiamento público e a exposição de jovens a conteúdos sensíveis.

