De olho nas manobras: Favoritos, democratas temem tentativa de roubo de eleição legislativa por Trump

Tempo de leitura: 3 min
Cidadã vota na Virgínia, onde democratas aprovaram o redesenho de distritos que os beneficia e pode decidir quem comandará a Câmara — Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP


Deputado federal pelo Partido Democrata, Joe Morelle é o principal quadro da oposição em uma função no Capitólio que, em uma democracia prestes a celebrar 250 anos, deveria seguir pautada por saudável previsibilidade burocrática. Não mais. Responsável por arbitrar, pela minoria, disputas que, em seis meses, vão definir o comando do Legislativo dos EUA, o político de Nova York tem se dedicado a elaborar intrincadas estratégias legais a partir de consultas a juristas, procuradores e até chefes de seções eleitorais país afora. À Economist, listou 150 possíveis manobras da Casa Branca para interferir no processo eleitoral. Entre elas, batidas de oficiais da Imigração em bairros com eleitores latinos em 3 de novembro para reduzir o efeito do voto já batizado de anti-ICE (Agência de Imigração e Alfândega), anulação de cédulas sufragadas via serviço postal e apreensão de urnas que os fiscais republicanos, hoje majoritariamente militantes trumpistas, considerarem suspeitas. Sua preocupação foi sintetizada pela revista britânica em uma pergunta: “E se Donald Trump tentar roubar as eleições?”

A razoabilidade da questão não deve ser medida apenas por ter sido proposta por adversários ainda zonzos com a derrota de 2024, argumenta o cientista político Jonathan K. Hanson, da Universidade de Michigan, com a experiência de quem foi assessor legislativo de congressistas das duas siglas. Ela deve ser avaliada, crê, a partir de falas e atos do presidente, desde que disputou sua primeira primária republicana, em 2016, em Iowa. Na ocasião, ao chegar atrás do senador Ted Cruz, afirmou ter “sido tungado”. Quatro anos depois, ao buscar a reeleição, pressionou oficiais a encontrar “votos que faltam para eu vencer”, sem sucesso. E acusou, sem provas, fraude na derrota para Joe Biden, com sérias consequências para a democracia americana, entre elas a invasão do Capitólio.

Na campanha de 2024, afirmou a evangélicos que “esta é a última vez em que vocês precisarão ir às urnas”. De volta à Casa Branca, após pleito jamais questionado pelo Partido Democrata, promulgou ato executivo que federaliza as eleições, considerado inconstitucional por juristas de peso, e enviou projeto ao Congresso, parado no Senado, que dificulta o voto à distância.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/blogs/trump-20/coluna/2026/05/de-olho-nas-manobras-favoritos-democratas-temem-tentativa-de-roubo-de-eleicao-legislativa-por-trump.ghtml

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *